Há cerca de um ano comecei a fazer uma regra simples: a meio da manhã e a meio da tarde saio de casa durante dez a quinze minutos. Não para fazer exercício. Apenas para caminhar sem telefone e sem destino particular.

No início sentia resistência. “Perco tempo.” Mas ao fim de uma semana a resistência diminuiu. Ao fim de um mês a caminhada tinha-se tornado o ponto alto do dia.

O movimento sem objetivo é, por vezes, o mais útil.

Porque deixar o telefone em casa

A regra mais importante é não levar o telefone. Quando o deixei em casa, a qualidade da caminhada mudou. O olhar começou a vagar. Notei detalhes das casas, das árvores, do céu. A mente, sem o hábito de verificar notificações, começou a processar o que tinha ficado por processar.

Muitas vezes regresso com uma ideia clara sobre um problema. Não porque tenha pensado deliberadamente — simplesmente porque o cérebro teve espaço para trabalhar em segundo plano.

O percurso não importa

Não tenho percurso fixo. Às vezes faço a volta ao quarteirão. Outras vezes caminho até ao parque. O importante é o ato de sair e manter o corpo em movimento. Em dias de chuva faço a caminhada na mesma.

O regresso

Quando entro em casa, não me sento imediatamente. Beberei um copo de água, olho pela janela, e só depois volto ao trabalho. Notei que a qualidade da atenção nas duas horas seguintes é consistentemente melhor.

Se nunca fizeste isto, começa com cinco minutos. Sai pela porta, caminha até ao fim da rua e volta. Deixa o telefone em casa. Observa o que acontece.

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